Crônicas de Session: Um dinossauro e um pisão no pé

Atualizado: 12 de abr.

Foi no Ano de Nosso Senhor de 2015, recém diplomado na universidade depois de longos 7 anos às voltas com o meu percurso acadêmico tortuoso que, tendo decidido dar uma descansada, visitei a querida cidade de Galway.

Um belo dia chuvoso foi a ocasião perfeita pra uma visita a um dos clássicos pubs dessa cidade encantadora, o Tig Chóilí, onde eu me deparei com o lendário bodhrani Johnny Ringo McDonagh.


Sem muita coragem pra me aventurar session adentro, peguei meu pint de Smithwick’s (acho que eles não tinham Galway Hooker, a minha preferida) e me coloquei num cantinho perto da porta, já que o pub estava bem cheio.

Fiquei ali, alimentando minha alma com o som que aqueles músicos estavam tocando e com a minha cervejinha, e tentando reparar nos detalhes da interpretação e da musicalidade daquele dinossauro que ali estava. Apesar da grandeza do senhor que fez parte de um monte de bandas importantes e que ajudou a inventar o jeito que se toca bodhrán hoje, ele tem um ar muito simples, de gente como a gente.


Nesse meio tempo, reparo em uma mulher de longos e densos cabelos negros que estava a minha frente dançando muito animadamente. Dança irlandesa, vocês podem supor. Não não, ela tinha passos próprios, como aqueles que a gente faz quando simplesmente se permite dançar aleatoriamente ao som do que quer que estejamos ouvindo, sem ninguém ver, obviamente. Quem nunca fez isso, não sabe o que é se sentir vivo…

A questão era que ela estava bem na minha frente, e bastante perto, já que o bar estava cheio e eu já estava apertado no canto, não tinha muito pra onde ir.


É claro que ela pisou no meu pé.


Ora, o que é um pisão no pé de uma mulher aleatória dançando aleatoriamente em uma session aleatória em um dia aleatório em Galway?

Poderia não ser nada se a autora do feito não fosse Cathy Jordan, a vocalista (e também bodhrani) do Dervish! Reconhecida quando ela se virou pra trás e me disse muito docemente: “Oh! Sorry!”. Eu sorri e ela se afastou um pouco e continuou dançando. Foi só depois disso que eu descobri que ela de fato dança assim, inclusive no palco!



Eu não me lembro que sapatos eu estava usando naquele dia, mas lembro de ter me passado pela ideia guardá-los como troféu. Não o fiz, mas guardei na memória o dia em que eu vi pela primeira vez dois músicos que eu tanto admiro.


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