Curiosidades: A Indignação de uma Flautista Clássica Vendo Flautistas Irlandeses

Atualizado: 5 de fev.


Quem gosta de música irlandesa já deve ter visto as flautas tocadas por músicos tradicionais. Elas são bem diferentes das flautas transversais comuns que vemos em orquestras e essa diferença não está só nas aparências, está também na técnica empregada. Pois nesta matéria, além de querer trazer um pouquinho da minha experiência como flautista diante desta diferença, quero também dividir meus sentimentos sobre essa descoberta, pois qualquer flautista clássico fica chocado com isso.


Não pretendo abordar esse tema de uma maneira mais profunda, até porque eu não toco a irish flute, quero apenas contar como uma curiosa que sempre arrisca tocar uma irish flute mas desiste nos primeiros 4 tempos.


Para quem não sabe, eu toco flauta transversal desde os 12 anos de idade e estudei flauta clássica e choro principalmente. Ainda que sejam estilos bem diferentes, eles possuem uma técnica bem parecida: a forma de se construir a embocadura, os apoios das mãos usados no instrumento e a forma de colocar os dedos nas chaves da flauta. Toda essa forma de pensar é completamente diferente na hora de tocar irish flute.


Pessoalmente, foi um choque quando entendi isso.


Na flauta transversal clássica, nós aprendemos a buscar a embocadura mais relaxada possível de forma que, se tocarmos por algumas horas, não teremos dores musculares ou nenhum problema relacionado. Estudamos com muito cuidado para que os agudos não sejam produzidos através de um sopro forte mas sim de uma relação entre a embocadura mais tensa (mas sem machucar nenhum músculo) e o controle do diafragma através do abdômen. Na irish flute, isso tudo cai por terra e a proposta é justamente que o flautista faça uma embocadura menos relaxada (sim, mais tensa), de forma que o ar passe da boca para a flauta com velocidade. Quem estudou flauta transversal já deve ter ouvido falar que é proibido tocar com “aquelas covinhas” ou com “aquele sorrisinho”. Pois bem, na irish flute é exatamente assim que se toca.


Pensem vocês, eu passei toda a minha vida levando broncas porque eu estava fazendo os agudos soprando forte, porque eu estava fazendo a covinha e minha embocadura não estava relaxada e, anos depois, descubro que há uma técnica que diz o contrário! Flautistas, manifestem-se por favor. Eu não quero sofrer sozinha rs


Brincadeiras à parte, além da embocadura, a posição das mãos também tem diferenças, especialmente na mão direita. Ao invés de usarmos a ponta dos dedos para tocar nas chaves, usa-se o meio. Sim, sabe na altura da segunda falange? Pois é. E eu já testei, não funciona tocar com a ponta dos dedos como eu aprendi, pois a irish flute não possui chaves como a flauta transversal, ela possui orifícios com um diâmetro que não permite serem fechados somente com a ponta dos dedos.


Sério? Tem algum flautista clássico por aí? Vamos fazer um grupo de apoio? Isso precisa ser discutido. Oi eu sou a Paula...


Por fim, passei minha vida tendo a postura corrigida. “A flauta tem que ficar paralela ao chão”, “olhe pro horizonte, não olhe para baixo”, “cabeça reta, peito erguido, tarari e tarará”, pois alguns dos melhores flautistas irish que eu vi, não seguem nada disso e são maravilhosos. Sim, eu disse: são maravilhosos. Tocam muito, MUITO bem, com um excelente som e não fazem quase nada do que eu aprendi.


Pois bem, é com essa informação que eu vos deixo na matéria de hoje. A proposta de grupo de apoio para flautistas clássicos segue de pé e, contem pra gente se vocês já notaram essas diferenças técnicas.


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