Sharon Shannon: Uma carreira brilhante e inclusiva no mundo do Trad



“Oh I took a stroll on the old long walk of a day-i-ay-i-aaay….”

Talvez essa seja uma das canções mais populares nos pubs irlandeses e em festas de dia de São Patrício. Tocada e conhecida no mundo inteiro, virou trilha do filme "Ps. Eu Te Amo" e quase um hino para aqueles que querem conhecer a Irlanda. “Galway Girl” foi composta pelo músico americano de country e folk Steve Earle enquanto visitava a cidade de Galway, convivendo e colaborando com os músicos locais do trad. Uma das musicistas locais se chamava Sharon Shannon - mestra do acordeon de botão (box), famosa pela variedade de gêneros musicais em que transita e por sua presença ultra simpática nos palcos. Aliás, aquele riff famoso da canção “Galway Girl” foi gravado por ela!

Nascida no norte do condado de Clare, Sharon começou sua vida na música ainda criança. Teve professores renomados no oeste da Irlanda e começou sua carreira tocando com Frank Custy e fazendo parte do Disirt Tola, uma banda jovem de música tradicional de Clare.


Mas foi a partir de 1991 que Sharon Shannon estorou no mundo inteiro. Foi neste ano que ela lançou seu primeiro projeto solo “Sharon Shannon”, sendo o álbum mais vendido de música tradicional irlandesa da história. A partir daí, Sharon virou uma verdadeira figura pública na ilha esmeralda e referência da música trad não só na Europa, mas também nas Américas e na Ásia.


Para vocês terem uma noção da grandeza dela aqui na Irlanda - se lembram daquelas revistas populares que ficam perto do caixa do supermercado? Certa vez, estava eu colocando minhas compras na esteira e me deparo com uma dessas capas cheias de anúncios aleatórios na qual, para meu espanto, Sharon Shannon era a moça da capa junto ao seu acordeon. Nunca imaginei ver um artista da música trad sendo capa de revista popular. Achei maravilhoso!


Após o sucesso do primeiro álbum solo, Sharon passou a colaborar com músicos do mundo inteiro. Só para citar alguns nomes aqui - The Waterboys, Michael McGoldrick, Donal Lunny, Carlos Nuñez, Frankie Gavin, Sinead O’Connor, Imelda May… e muitos outros. Além de atualmente ter 21 álbuns gravados no total.


O fato de que Sharon não ficou estagnada apenas na linguagem e no repertório da música tradicional é o que faz o som dela ser tão vibrante. Ela não tem medo de misturar estilos, ritmos, instrumentações e gêneros diferentes em seus álbuns. Guitarras elétricas, contrabaixo, congas, sintetizadores se misturam com as flautas, fiddles, bodhráns e bouzoukis, assim como influências do country, rock, cajun e reggae fazem parte da sua sonoridade. E é isso que faz dela uma figura importante tanto no meio mais tradicional quanto no contemporâneo. O vídeo abaixo mostra isso muito bem.


Eu, como mulher instrumentista, me inspiro e tenho Sharon Shannon como uma grande representante. Tive o prazer de assistir um show dela aqui na cidade de Galway e ela tem uma pureza e simplicidade que mistura com sua genialidade. Ela não precisa ser uma personagem no palco ou não parece querer provar nada para ninguém. Só parece se divertir tocando seu acordeon de maneira muito genuína e apreciando todos os músicos e a plateia em sua volta. Conseguir ter esse “sucesso”, que é uma palavra delicada, essa honestidade com sua música e ser renomada mundo afora como instrumentista é uma coisa que infelizmente, no mundo feminino, ainda acontece muito pouco, e Sharon Shannon é uma grande prova de que isso é possível!



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