• Paula Camacho

Around the House: Entrevista com a banda Tailten

Tailten é uma banda carioca de música irlandesa que se formou a partir de eventos de recriação da cultura celta dos quais eles próprios eram os produtores. Seu repertório é super enérgico e a vibe da banda é realmente contagiante. Mesmo com a pandemia, conseguiram dar "aquela" contornada e produzir eventos online e conteúdo de qualidade para manter seu objetivo de trazer animação e cultura irlandesa para seu público. Com vocês, na nossa série "Around the House" de hoje: Tailten!


História da banda:

1 - A curiosidade geral: como se pronuncia o nome da banda de vocês? E qual é o significado deste nome?

Se fala Tal-tchen! Tailten significa “de Tailtiu”. Tailtiu, é uma rainha lendária da Irlanda, que se sacrificou por seu povo. Em homenagem a ela foi criada uma grande feira (oenach), que acontecia anualmente no local da Irlanda em que ela teria morrido. A escolha desse nome é por conta das origens da banda...


2 - Como, quando e por que a banda começou?

A gente era de um grupo que começou a produzir um evento de época, recriacionista, aqui no estado do Rio de Janeiro. Era como se fosse uma feira medieval, mas com temática celta/ irlandesa. O evento se chamava Oenach na Tailtiu, porque a proposta era de ser uma retomada, nos tempos atuais, e aqui no Brasil, da tradição irlandesa das feiras de Tailtiu.

A gente fez duas edições do evento chamando bandas para tocar ao vivo. No primeiro, em 2009 veio a banda Galwen, de Minas, e, no segundo, em 2010, o Café Irlanda, daqui do Rio. Na edição seguinte, em 2013, a gente tava com a grana muito curta e quase desistindo de fazer o evento, aí veio a ideia de pegar a galera da organização que tocava alguma coisa e montar uma banda só pra isso. Nem nome tinha, a gente era a "Banda da Oenach".

Aí dois anos depois a gente resolveu começar a intensificar os ensaios e tocar em outros eventos, e, enfim, se estruturar como banda propriamente dita, e aí escolhemos Tailten por causa dessa nossa história. Aí vieram apresentações em bares, casas de show, feiras culturais, vernissages, casamentos, eventos cervejeiros, festivais...

Então a gente foi uma banda que nasceu nessa subcultura de eventos medievais, celtas, vikings etc., e ainda somos parte dela, embora não de forma exclusiva. Aliás, a Oenach continua acontecendo, a última foi em 2019, e continuamos tocando em cada edição.

Uma das características que definem a Tailten é justamente a de transitar entre essas duas realidades - às vezes a gente se apresenta num dia com boinas, coletes, cartolas verdes, como se espera de uma Irish Pub Band, e no dia seguinte a gente atravessa um portal para o tempo dos celtas e está no palco com roupas de época, torques, tartans vai depender da ocasião, da proposta do evento.

Tailten tocando no evento "Oenach na Tailtiu"


3 - Quem já passou pela Tailten e qual é a formação atual?

É importante dizer que somos antes de mais nada um clã, uma família. Na formação atual somos Daniel Nicolato (tin whistle, voz, concertina, bones), Raquel Torres (bodhrán, voz, violão), Dani Xis (bouzouki, bandolim, violão, voz), Fernanda Esteves (spoons, pandeirola, voz), Hugo Pansini (fiddle, backvocals) e Ulisses Tavares (bodhrán, backvocals).

Durante um bom tempo, tivemos também o Davi Paladini (bodhrán), que hoje está morando na Irlanda. E lá na nossa primeira apresentação, na Oenach 2013, antes de sermos Tailten, tivemos o Erick Carvalho (flauta transversa). Todos membros do nosso clã.


4 - Sobre os membros atuais, todos trabalham com música irlandesa? Se não, qual é o trabalho de cada um de vocês?

Todos têm outros trabalhos. Daniel Nicolato é servidor público. O Dani Xis é músico e videomaker. O Hugo toca em casamentos e trabalha na empresa da família. A Raquel é consultora educacional. A Fernanda é professora e iluminadora cênica. O Ulisses é profissional de tecnologia da informação. Além disso, vários membros têm outros projetos musicais não necessariamente ligados à música irlandesa.


5 - Como cada um de vocês começou a tocar música irlandesa?

Daniel Nicolato: Em 2005, minha esposa e eu fomos em um workshop sobre língua irlandesa (a gente já se interessava por cultura gaélica) e conhecemos uma menina do Sul que cantava em uma banda de música celta. Infelizmente, não me lembro do nome dela nem do da banda. Eu mencionei que tocava flautas e ela perguntou "e por que você não toca tin whistle?". Nunca tinha ouvido falar. Aí fomos pesquisar, minha esposa me deu uma de aniversário, e uma coisa foi puxando a outra - comemorações de St. Patrick em Ipanema, uma viagem à Irlanda, CDs da Mary Bergin e do Micho Russel, e aí já não tinha mais volta.

Hugo: Mais ou menos em 1999 conheci The Corrs (que ainda é minha banda preferida!) e em 2002, eles lançaram um DVD que eu assisti até furar, praticamente. Nisso, foi nascendo meu interesse pelo violino. Comecei a tocar em 2004 e elas foram meu objeto de estudo. Até hoje toco todos os solos de violino dos CDs. Nisso, como elas sempre tocaram instrumentais nos álbuns, fui me aprofundando um pouco, aprendendo que boa parte das instrumentais não eram composição delas (um choque na época!), fui ouvindo outras versões e nisso fui conhecendo outros artistas mais raiz, digamos assim.

Fernanda: Comecei ouvindo música medieval e barroca, assim que soube que haveria uma festa “celta” eu corri para ouvir o som para me ambientar mais, isso foi em 2009 na minha primeira participação na Oenach na Tailtiu. Me apaixonei!

Ulisses: Eu sempre estive envolvido com percussão. Quando eu descobri a música irlandesa, eu me apaixonei pelo bodhrán. E comecei a estudar para aprender e compreender como essa nova forma de percussão se apresentava na minha vida.

Raquel: Eu comecei tocando tunes mais populares como as que tocavam em filmes, até que conheci outras pessoas que também estudavam o estilo. Começamos a estudar um repertório por hobby na casa do amigo músico Alex Navar e depois criamos uma banda (a Café Irlanda), que foi um grande incentivo pra continuarmos estudando música irlandesa e aprendendo mais tunes.

Dani Xis: Meu interesse em tocar convergiu de fontes diferentes. Primeiro, uma amiga que hoje é da companhia de dança Céilí Brasil, parceira da Tailten, me apresentou Altan, Dervish, Luar na Lubre e Michael Flatley. Um pouco depois conheci a banda Ashtar. Então quando veio a necessidade ter uma banda na festa Oneach na Tailtiu, um mundo de possibilidades se abriu: DADGAD, bandolim e bouzouki e zilhões de formas de tocar em D.


6 - Vocês têm influências musicais de outros estilos além da irish music? Se sim, que estilos são estes?

O nosso repertório é majoritariamente de música tradicional irlandesa, e usamos instrumentos tradicionais. Tem algumas misturas sutis - as composições próprias, naturalmente, trazem elementos de fora da tradição (inclusive a língua portuguesa, em algumas canções), e muitas vezes a gente leva pro palco alguma coisa americana, ou escocesa, ou homenageia uma banda ou artista tocando algumas músicas que não são estritamente tradicionais da Irlanda. Mas estamos longe de sermos uma banda especializada em fundir estilos.

Não que haja nada de errado em fazer essas misturas! Tem muitas bandas, inclusive aqui no Brasil, que se caracterizam por essas combinações de estilos, e que as executam de forma magistral. Só não é nosso caminho, pelo menos até agora. Acho que isso tem um tanto a ver com um dos pontos que definem a Tailten, que é a vontade de mostrar para o público brasileiro o que é a música irlandesa - inclusive quando a gente sobe num palco, a gente costuma se apresentar como "uma banda brasileira especializada em música tradicional irlandesa".

Dito isso, é claro que influências sutis de outros estilos existem, e com certeza aparecem, pra ouvidos atentos. E o grau de influência de cada estilo é diferente para cada membro da banda. Todos somos fãs de rock de uma forma ou de outra - seja metal, progressivo, punk, indie, pop rock - cada um de nós vai ter suas preferências. Além disso, se juntar as influências de todo mundo aqui, tem de tudo: música erudita, música popular brasileira, country, blues, jazz, bossa nova, além das músicas tradicionais de outros povos.


7 - Que bandas e artistas estão nas influências e inspirações de vocês?

A banda como um todo, obviamente deve muito às grandes bandas do revival folk dos anos 60-70, em termos de inspiração. The Dubliners, Clancy Brothers, Irish Rovers, Planxty e The Bothy Band, entre outras, definiram uma forma de apresentar a música irlandesa que ganhou o mundo; e nós, como quase todas as bandas de música irlandesa do Brasil, acredito, ainda somos ecos desse movimento.

Daniel Nicolato: Quanto a instrumentistas, no que se refere à tin whistle, preciso citar Mary Bergin, Micho Russel, Seán Potts, Seán Ryan e Breda Smyth.

Hugo: Nas minhas influências/construção de identidade, tem Sharon Corr (The Corrs), claro, e também Mairead Nesbitt (Celtic Woman), Natalie MacMaster e Vanessa Mae. Muito me inspiro também em Zoe Conway, Fergall Scahill. Gosto muito também da maneira super afinada e clara de tocar do Andrew Finn, e da Aisling Sage (Lord of the Dance). Difícil definir poucos!

Dani Xis: Planxty (sobretudo o trabalho do Andy Irvine como artista solo), Daoiri Farrell, Altan, Flook e Talisk.

Fernanda: Fergall Scahill, Planxty, Barrule e tantos outros.

Raquel: Em relação a música irlandesa, me inspiram muito (inclusive pra estudar improviso) as bandas Talisk, Flook e Jiggy, além das tradicionais Planxty e The Bothy Band

Ulisses: The Dubliners, Planxty, The Pogues, entre outros.


8 - Qual é o objetivo de vocês como banda? O que querem transmitir com a música de vocês?

A missão da Tailten é trazer um gostinho da animação da música irlandesa para o público. Muitas vezes a gente proporciona o primeiro contato das pessoas com uma cultura diferente. E mais, com as histórias diferentes que ela traz, já que a gente sempre fala um pouco sobre o background das músicas que apresenta. Assim a gente ajuda a expandir os horizontes de quem nos ouve, e isso é um grande presente.


Sobre o repertório, irish music e cultura irlandesa:

9 - Suas músicas são bem tradicionais. Muitas de domínio público e muito antigas. Sobre o que essas músicas falam? Que temas mais aparecem nas canções irlandesas?

Certamente as canções irlandesas mais famosas são as chamadas drinking songs, ou "músicas de bar", que falam sobre bebida. Elas são uma parte muito importante do nosso repertório - até porque a gente gosta fazer as pessoas se alegrarem, festejarem, rirem, comemorarem com a gente aquele momento.

Por outro lado, tem muitos outros temas que são recorrentes no cancioneiro tradicional, como eventos históricos, exílio, amores (muitas vezes sem um final feliz), foras-da-lei, canções de revolta, canções marítimas, e misturas desses temas. Cantamos sobre todos esses, e mais alguns.

Sobre isso, inclusive, tem um grupo de amigos nossos que sempre ia nos show e nas sessions em que a gente tocava, e quando a gente cantava músicas sobre outros temas, ou se ficava muito nas instrumentais, começavam a gritar "drinking soooongs"! E era tão constante, que a gente compôs uma canção em português sobre isso, chamada "Mais uma Drinking Song". Quando a gente foi pro estúdio gravar, convidou esses amigos para participarem da faixa, e foi muito divertido.


10 - Vocês têm composições próprias no repertório. O que os levou a compor? E que temas vocês gostam de usar para criar?

Até agora, a gente gravou Mais uma Drinking Song, também a Morte Maltada, que é, na verdade, uma adaptação de uma canção tradicional, e que fala da fabricação da cerveja do ponto de vista do pobre pé de cevada.

A gente também gravou duas tunes, uma composta pelo Hugo (Pansini’s Fancy) e outra pelo Dani Xis (Lago das Fadas), em sets com tunes tradicionais. Tem várias outras composições e adaptações sendo trabalhadas ou esperando um arranjo - e os temas são tão diversos quanto os da música irlandesa.


11 - Vocês possuem tanto músicas instrumentais quanto cantadas. Poderiam nos falar um pouco sobre a diferença entre as canções e as tunes instrumentais?

Se por um lado, as canções contam histórias que fazem a gente pensar e sentir, as tunes - músicas instrumentais - nos colocam para dançar. A gente alterna nos show entre canções e tunes dançantes - jigs, reels, hornpipes e polcas. Assim, mostramos muitas faces da música irlandesa, e criamos um clima de alegria e diversão.

Uma coisa muito legal que aconteceu, nesse sentido, foi o surgimento, em 2017, da companhia de dança Céilí Brasil, que é um grupo que pratica e apresenta para o público as danças irlandesas tradicionais de baile. O grupo foi montado pela Monique Brasil e pela Ana Beatriz de Mello (que também é a nossa manager), e desde então fizemos vários shows juntos, nós tocando, e eles dançando.


12 - Vocês usam instrumentos bem diferentes como bouzouki, pandeirola, concertina, bodhrán, poderiam nos falar um pouquinho sobre cada um destes(e, se eu tiver esquecido de algum, sintam-se livres para falar também)?

Daniel Nicolato: A concertina "anglo", usada principalmente no oeste da Irlanda, é um instrumento da família do acordeão, com botões em ambos os lados, e notas diferentes para o mesmo botão, dependendo se você está comprimindo ou expandindo o fole. É meu instrumento secundário (o principal é a tin whistle), e uso na banda, por enquanto, em algumas poucas tunes. Na minha opinião, é um instrumento bem difícil, mas com uma sonoridade extremamente interessante.

Dani Xis: Falando especificamente sobre o bouzouki irlandês e o bandolim,que possuem afinações bem próximas, eles se distinguem na tarefa a que se propõem: o primeiro para acompanhamentos e o segundo para melodias. Isso pode se inverter em alguns casos, mas normalmente a sonoridade do bouzouki funciona na Tailten para se mesclar ao violão no acompanhamento, com alguns contrapontos que não atrapalhem as melodias principais.

Fernanda: Com a energia da Tailten não poderiam faltar as spoons (colheres)! Famosas por permitir “brincar” entre as melodias! Também uso outras percussões como chocalhos, pandeirolas, guizos…

Ulisses: O bodhrán é um instrumento percussivo da família dos membranofones. Como a maioria dos instrumentos desse tipo, sua origem se perde no tempo. Tem tambores similares distribuídos pelo norte da África e no Oriente Médio. Uma referência importante é que ele foi usado durante a rebelião irlandesa de 1603 pelo exército irlandês, como uma bateria de guerra, sendo utilizado para organizar os soldados e para anunciar a chegada militar. Sua introdução na música folclórica irlandesa se deu por volta da década de 1950, quando tornou-se famoso com o trabalho de bandas como The Clancy Brothers.


13 - Algumas músicas de vocês estão em gaélico irlandês, que é a língua nativa da Irlanda. Poderiam nos contar um pouco sobre o porquê a Irlanda, hoje, fala inglês e qual é a relação deles com o gaélico atualmente?

Em resumo, a Irlanda esteve sob domínio britânico durante séculos. Isso fez com que a língua inglesa ganhasse importância e a irlandesa perdesse. Alguns eventos como a grande fome aceleraram esse processo. O governo britânico também agiu deliberadamente para suprimir elementos da cultura nativa gaélica, inclusive a língua. Hoje a língua irlandesa vive, mas apenas em algumas comunidades.

Claro que quando a gente canta em irlandês a gente tem consciência de que a nossa pronúncia deve estar longe da perfeição (mas a gente se esforça!), mas a gente encara isso como uma homenagem a esse povo. É como quando você é recebido na casa de um amigo, em outro país - é legal você tentar falar umas palavrinhas, nem que seja um "bom dia" na língua nativa dele. Demonstra consideração. Já que é uma cultura que a gente admira, a gente acha justo fazer esse esforço.


14 - As irish sessions são eventos muito importantes para a música e cultura irlandesa. Vocês poderiam falar um pouquinho sobre estes eventos? E sobre as sessions que vocês promoviam/promovem?

A sessions são fundamentais. Nós somos pessoas que tocamos um estilo musical que não é típico daqui, e que se você não corre atrás, não ouve quase nunca. Nas sessions você está em imersão - ouvindo ao vivo. Tocar com outros músicos então, trocar tunes, dicas, experiências - isso é extremamente valioso. Além de serem eventos sociais bem legais.

Mais ainda, se você tem uma session bem estabelecida na sua cidade e divulga isso, pessoas de outros estados ou até outros países vão acabar indo na session quando estiverem por ali de passagem. Isso acontece em todo o mundo - os estabelecimentos onde ocorrem sessions de música irlandesa são como pontos de check-in para os músicos do estilo que chegam nas cidades.

Nesse sentido, um evento como a Session Nacional que rolou em São Paulo é tipo uma convenção nacional dos amantes de música tradicional - para todo mundo se rever, se divertir junto e trocar ideias.

A nossa session, que acontecia na Lapa, começou em 2013 - oportunamente quando a gente estava formando a banda, e precisava de um espaço para se encontrar e praticar as tunes. A Fernada e a Raquel eram as organizadoras. No início era só o pessoal da banda mesmo, aí mais gente foi aparecendo e foi ficando cada vez melhor. Inclusive foi numa dessas que a gente conheceu o Hugo, e acabou recrutando ele pra Tailten.

A partir de 2020 e com o período complicado do isolamento pela pandemia resolvemos criar uma irish session online! Os participantes são todos convidados a postarem vídeos tocando, dançando, cantando e até mesmo com fotos! O importante é o prazer do encontro que a música pode nos proporcionar em momentos que exigem muito de nós!


Digam ao público:

15 - Em que mídias o público pode procurá-los?

Nossa música está disponível no Spotify, Deezer, Apple Music, Itunes, Google Play, Amazon Music… Com certeza estamos na sua plataforma favorita. Inclusive acabamos de atingir a marca de um milhão de streams no Spotify!

Temos um canal bem ativo no Youtube (www.youtube.com/bandatailten), com vídeo novo toda semana - clipes, reviews, tunes favoritas da banda pra quem quiser aprender tirando de ouvido… tem bastante material já. Bora se inscrever, pessoal!

Também estamos presentes no Instagram (www.instagram.com/bandatailten/) e Facebook (www.facebook.com/bandatailten/) , é só nos seguir pra saber de tudo que tá rolando.

16 - A pandemia foi um ocorrido que abalou bastante a todos nós do meio artístico. Como vocês enfrentaram e ainda enfrentam este momento? A gente tinha muita coisa planejada e que foi por água abaixo por conta da pandemia, claro, e também ficou com esse vazio por não poder estar perto do público como a gente estava acostumado. Mas por outro lado, a gente também sabe que essas são tristezas bem pequenas se comparadas a toda a dor que essa pandemia já causou a tantas famílias.

Então a gente manteve os ânimos e se adaptou, encontrou um caminho para continuar, como todo mundo teve que fazer. Participamos de vários eventos online, fizemos uma live, reformulamos completamente nosso canal do Youtube, passamos a produzir vídeos do tipo "collab", cada um na sua casa, e intensificamos nossas atividades em redes sociais. Isso tudo com o apoio constante de muitos amigos e fãs, que continuaram ao nosso lado.

No fim das contas, descobrimos novas formas de fazer nosso trabalho, firmamos amizades com outras bandas amigas, que com certeza continuarão vivas mesmo depois que essa fase passar.


17 - O que motiva a Tailten a continuar tocando?

A necessidade do mundo em consumir e ter contato com arte. A pandemia, por mais terrível que seja, provou um ponto fundamental da sociedade: precisamos de artistas e suas produções em nossas vidas.

Em janeiro de 2021 chegamos a 500 mil streamings e, agora, à marca de 1 milhão de streamings no Spotify. É impressionante como o mundo está todo conectado e como muitos consomem música irlandesa não apenas da própria Irlanda, mas de outros países, como o Brasil. Recentemente, uma influencer jovem canadense, adicionou uma faixa nossa em uma playlist pessoal de músicas celtas/medievais. É muito legal esse alcance se pararmos pra pensar.

18 - Quem toca, seja música irlandesa ou outro estilo, percebe que o movimento de pessoas que curtem este estilo varia bastante. Como estava a cena irish no RJ antes da pandemia? E vocês tem previsão de uma possível volta?

Já esteve mais aquecida no passado. Parece que o interesse do público teve uma queda e estava se recuperando quando veio a pandemia. Um fato infeliz é que o primeiro lockdown da pandemia veio logo antes das comemorações de St. Patrick's day, que tendem a trazer mais interessados. A esperança é que conforme as coisas retornem ao normal, o público que estava na "seca" volte com tudo. A gente está de olho na evolução da situação e se preparando para retomar as atividades assim que possível.

19 - Que dica vocês dariam para alguém que está começando a tocar música irlandesa agora? E para alguém que gostaria de começar uma banda de irish music?

Dani Xis: As dicas mais importantes de todas para as duas situações são: ouça com atenção os clássicos (e suas gravações) e pratique devagar, porque não existem atalhos. Quando for possível, encontre outros músicos porque tocar com outras pessoas é a melhor forma de aprender.

Hugo: estudo e persistência, porque aprender o sotaque irish não é fácil haha. Não basta apenas pegar uma partitura de uma música da Irlanda, tocar e dizer: opa, se veio da irlanda então estou tocando Irish. Outra dica que funciona sempre é estar sempre em contato com o meio. Procure sessions (inclusive on line!), grupos, eventos, ouça MUITA música. Ou seja, se insira no meio como puder. Aos poucos a Irlanda vai se introjetando na sua vida e você estará incluído no meio sem nem perceber.


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