Liz Carroll: De Chicago para o mundo do trad


photo by Marianne Mangan

Já mencionei em outros artigos o fato curioso de eu sempre me inspirar, me espelhar e aprender com fiddle players apesar de ser flautista. Já escrevi aqui no Pint Diário sobre minha admiração por Martin Hayes, Kevin Burke e outros violinistas. Mas a musicista deste artigo é com certeza uma das minhas maiores influências desde que comecei a tocar trad…daquelas pessoas que eu congelaria se eu visse na minha frente - a maravilhosa, esplendorosa, diva Liz Carroll.


Liz tem um estilo próprio de tocar, daqueles que se reconhece de longe. Talvez por todas as suas influências musicais ou pelo fato de que ela sempre compôs suas próprias tunes, e com isso a personalidade do seu fiddle com a música vem à tona. Sua linguagem é cheia de suíngue e bem ritmada, além da sua capacidade de fazer variações lindíssimas e muito bem colocadas.

Talvez tudo isso também venha com a influência americana de misturas e abertura para novas possibilidades nas linguagens musicais. Aliás, Liz não é Irlandesa porém é filha de Irlandeses. Sua cidade natal é Chicago, e para quem não sabe, a comunidade Irlandesa em Chicago é enorme e muitos músicos conhecidos vieram de lá ou passaram por lá, já que a tradição irlandesa é muito preservada na região por conta da forte imigração.


Ela começou seus estudos na música clássica e depois migrou para o trad, tendo Phil Durkin como seu primeiro professor e outras inspirações como Johnny McGreevy, o piper Joe Shannon, o acordeonista Joe Cooley e flautista como Seamus Cooley e Kevin Henry.


Eu descobri o trabalho de Liz Carroll quando escutei o álbum In Play, no qual ela gravou junto com um dos violonistas que mais adoro, John Doyle. É incrível como só um fiddle e um violão podem ter tanta força e personalidade juntos! Após alguns anos eles gravaram um segundo álbum chamado Double Play, que é mais incrível ainda… se é que isso é possível. É meu álbum referência de introdução à música tradicional irlandesa para os novos curiosos, pois acho que ali dá pra entender o quão vibrante e interessante a música irlandesa pode ser e um bom jeito de despertar a curiosidade para se adentrar mais ainda no universo tradicional.



Outro álbum incrível de Liz que é cheio de suas composições é o On The Off Beat, com tunes “diferentonas” e bem interessantes, lançado em 2013. Seu trabalho mais recente é Half Day Road com participação do violonista Jake Charron, que também está incrível.

É importante mencionar também que ela já recebeu diversos prêmios como o Cumadóir TG4 e indicações ao Grammy, sendo a primeira mulher americana a ser nomeada no mundo da música tradicional irlandesa.




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