Around The House: Entrevista com a banda Krivo

O Pint Diário completa 1 ano em 2022, e nesse meio tempo tivemos o privilégio de documentar e entrevistar algumas das bandas e artistas da música irlandesa mais tradicionais do Brasil. Alguns deles fizeram parte das primeiras gerações de músicos brasileiros que se aventuraram a aprender tunes e instrumentos do trad num tempo em que nem sequer existia YouTube – e eles passaram e continuam passando adiante a tocha do que aprenderam, descobriram e, acima de tudo, do fascínio que têm por essa música. De maneira que (arrisco dizer) cada vez mais pessoas descobrem esse gênero musical incrível por todo o país. Hoje, O Pint Diário conversa com a banda Krivo, talvez uma das mais recentes do país, formada a pouco mais de 2 anos em São Bento Do Sul. Com uma sensibilidade notável para as miudezas e sutilezas da música tradicional irlandesa, eles logo chamaram a nossa atenção. E em 2022, tocaram sua primeira maratona de St. Patrick’s. Com vocês, Krivo:




O PINT DIÁRIO – Quem são os krivos? Como vocês se conheceram, e de onde vem o interesse de vocês pela música tradicional?


KRIVO – A banda é composta por 4 membros, Andy Coutinho (cordas, sopro e vocal), Carlos Muehlbauer (cordas), Pedro Kneubuehler (cordas e vocal) e Felipe Ribeiro (percussão, sopro e vocal). Moramos todos na cidade de São Bento do Sul. Somos amigos há muitos anos, então quando surgiu o interesse de montar uma banda foi fácil encontrar as pessoas certas. A afinidade com a música tradicional sempre existiu entre os membros, através de livros e filmes, influência de amigos e até mesmo a vivência de um dos membros na Irlanda.



Da esquerda para a direita: Felipe Ribeiro, Andy Coutinho, Pedro Kneubuehler e Carlos Muehlbauer.


PINT – Quando a banda foi formada? De onde veio a vontade de vocês se reunirem e criarem a Krivo?


KRIVO – A banda surgiu no começo da pandemia do Covid, em março de 2020. Essa vontade sempre existiu em alguns membros, mas o estopim foi após um dos membros (Andy) retornar de uma viagem a São Paulo onde teve a oportunidade de participar de uma session, isso despertou um profundo desejo de replicar a idéia na nossa cidade, então reunimos as pessoas com o mesmo interesse e tudo fluiu maravilhosamente.




PINT – Quais são as influências de vocês, na música irlandesa? Bandas, artistas que inspiram e norteiam o som de vocês?


KRIVO – Adoramos os clássicos como o Andy Irvine, Paul Brady, Donnal Lunny, Tommy Peoples, Matt Molloy entre outros desta época… Nós gostamos muito do som ‘old-school’, principalmente os mais exóticos, com ornamentos bem pesados e um violão forte, sempre buscando um som pulsante, com pegada mais firme.


PINT – E fora do trad? Vocês trazem influências e experiências pessoais com outros estilos musicais?


KRIVO – Sim, basicamente todos os membros vieram do metal/rock. Todos já tiveram bandas do gênero também, acredito esse ser um dos motivos de gostarmos tanto das tunes mais pesadas e rápidas.




PINT – Como vocês estudam / praticam música tradicional irlandesa?


KRIVO – Nós temos ensaios regulares, praticamente toda semana, onde definimos as próximas tunes e trocamos conhecimentos. No mais, somos autodidatas e passamos muito tempo buscando conhecimentos pela internet e praticando muito.


PINT – Imagino (na verdade, imagino por experiência própria) que muitos dos possíveis clientes de vocês nunca ouviram falar de música tradicional irlandesa – ou, se ouviram, não sabem exatamente o que é. Como vocês apresentam o trabalho de vocês para eles?


KRIVO – Corretíssimo, a maioria dos clientes vem com a ideia do St. Patrick's ou algo medieval, mas na maioria não sabem diferenciar muito bem… acabam englobando tudo (medieval, celta, irish rock, musica de ‘pirata’ etc…). Então acho sempre mais fácil explicar nossa proposta de forma sucinta e deixar o restante do entendimento para vídeos e áudios nossos, que acredito ser o que mais interessa ao cliente no fim, saber se vai curtir a pegada e som da banda.




PINT – O público que assiste vocês já conhece o tipo de música que vocês tocam, ou costumam mais descobrir por meio de vocês?


KRIVO – Com exceção dos eventos temáticos, onde é um público bem específico, a maioria das pessoas descobre através de nós, pois o estilo não é muito popular aqui e acredito não haver outra banda do gênero nas proximidades.


PINT – O que vocês falariam para alguém que está querendo começar a aprender música irlandesa? Aliás, tem muita gente que vem falar com vocês depois dos shows, perguntando sobre aulas, instrumentos, referências, etc?


KRIVO – Para nós o segredo é: ouvir, ouvir muito e praticar mais ainda. A música irlandesa é maravilhosa e cheia de espaços para nuances. Os instrumentos utilizados podem parecer simples, como uma whistle, mas exigem muito treino e dedicação para tocar no estilo irlandês. Temos tunes que tocamos há anos, mas sempre aparece algum detalhe novo para enriquecê-la, é sempre um campo aberto.

A maioria das pessoas fica curiosa com os instrumentos mesmo, querem saber a origem, afinação, onde foi comprado, até quanto custou… Isso provavelmente se deve ao fato de levarmos muitos instrumentos diferentes ao palco (mesa de bar) e ficar alternando entre eles.




PINT – Quais são as maiores dificuldades que vocês encontram ou encontraram na trajetória musical de vocês?


KRIVO – A energia elétrica. Quando percebemos que era necessário possuir uma caixa e mesa de som para certos eventos, nos vemos numa dificuldade muito grande para se adaptar com os muitos microfones necessários, regular mesa de som, tirar a microfonia, definir posições dos microfones para melhor captação e demais problemas derivados disso…



PINT – Como está a retomada das atividades pós-pandemia? Quais são os planos e anseios de vocês?


KRIVO – Na verdade estamos na nossa “tomada” rsrs, pois como começamos junto com a pandemia no Brasil, ficamos apenas nos ensaios fechados durante mais de um ano, agora estamos tocando com mais frequência ao público. Nosso objetivo sempre foi tocar por prazer, fora de palco e mais próximo ao público, de forma mais íntima, e oferecer um som diferente, um som honesto, da alma, sem corromper nossos valores musicais e dessa forma apresentar mais pessoas para música tradicional.


PINT – Como as pessoas podem conhecer o trabalho de vocês?


KRIVO – Pelo nosso instagram (krivoband) ou até mesmo falar com algum dos membros que apresentaremos a banda e o trabalho com todo o prazer'


PINT – Vocês têm outras profissões ou ofícios, além da música? Se sim, vocês diriam que elas influenciam no som de vocês de alguma forma?


KRIVO – Sim, todos temos outras profissões e levamos a música como um trabalho secundário. 3 dos membros (Andy, Pedro e Felipe) trabalham na área de exatas (engenharia e T.I) e o Carlos na área de tatuagem e ilustração digital. Sobre a influência na música, acreditamos ter apenas da parte do Carlos, por trabalhar em um ambiente 100% artístico e estar sempre buscando referências e inspirações para desenhos, tem facilidade em transferir isso em procurar músicas e estilos diferentes.




PINT – Por último, mas não menos importante, de onde vem o nome da banda?


KRIVO – Krivo (криво) é uma palavra búlgara, significa "torto" ou "tortuoso". É o nome da nossa primeira horo, Krivo Sadovsko Horo – horo é um ritmo musical balcânico.


PINT – Mais alguma coisa que vocês gostariam de dizer ou compartilhar com o leitor d’O Pint Diário?


KRIVO – Queremos agradecer ao Pint Diário pelo convite para essa entrevista e os leitores que chegaram até aqui. Sintam-se à vontade para entrar em contato conosco para trocar uma idéia ou combinar uma session se estiverem pela nossa região, certamente serão bem-vindos.





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